18 de agosto de 2012

ALTERNATIVAS MAIS SEGURAS


Por Fred Durso, Jr.

O Presidente do Conselho Diretor de Segurança Química, Rafael Moure-Eraso, e o pesquisador Donald Holmstrom falam sobre o trabalho conjunto do CSB e da NFPA para lidar com as práticas de liberação de gás em ambientes industriais.

Quando Rafael Moure-Eraso, presidente do Conselho Diretor de Segurança Química (CSB, da sigla em inglês), fala das mortes e dos ferimentos ocorridos em duas recentes explosões catastróficas em ambientes industriais pensamos numa palavra: evitáveis. Ambos os incidentes envolviam uma prática usual, mas potencialmente perigosa: a liberação intencional de gás natural perto de locais de trabalho, apesar de existirem alternativas mais seguras.

Em junho 2009, trabalhadores da fábrica ConAgra Slim Jim em Garner, Carolina do Norte, estavam conectando um novo tubo de alimentação de gás a um aquecedor de água industrial, quando começaram a utilizar gás natural para eliminar o ar do tubo. Os trabalhadores ignoravam o nível de acumulação de gás no interior das instalações, após um processo de liberação de gás de duas horas e meia: a concentração de gás acumulado chegou ao limite mínimo inflamável e entrou em contato com uma fonte de ignição, resultando numa explosão que matou quatro trabalhadores e feriu mais de sessenta. Oito meses mais tarde, na central elétrica em construção da Kleen Energy, em Middletown, Connecticut, o gás em alta pressão, utilizado durante um procedimento de limpeza, foi bombeado nas tubulações e liberado ao exterior. Uma vez mais, o gás se tinha acumulado a níveis perigosos e encontrou uma fonte de ignição, matando seis trabalhadores e ferindo cerca de cinquenta.

Depois dos incidentes, o CSB, a agência federal baseada em Washington, D.C. que investiga os incidentes industriais, forneceu recomendações de segurança à comunidade que lida com códigos e normas. A NFPA reagiu rapidamente às recomendações relacionadas com a ConAgra, criando e aprovando um esboço de emenda provisória para o NFPA 54, Código Nacional de Gás Combustível, que trata os procedimentos de purga, tanto no interior como no exterior e cria salvaguardas mais estritas para os trabalhadores envolvidos nessas práticas. As emendas deveriam ser incluídas na edição 2012 do NFPA 54. Mais cedo este ano, a NFPA formou um comitê técnico para desenvolver uma nova NFPA 56, Norma Provisória para o Comissionamento e a Manutenção dos Sistemas de Gás Combustível Canalizado, que lidará também com o tipo de explosões de gás que ocorreram na Kleen Energy. A nova norma tratará também um leque de atividades ligadas ao processo do gás, como os procedimentos de limpeza, reparação, substituição e remoção das tubulações em centrais elétricas, locais industriais e comerciais.

Em sua apresentação especial na Conference & Expo da NFPA de 12 a 15 de junho em Boston, Moure-Eraso falou longamente sobre o incidente da Kleen-Energy e suas conseqüências. O NFPA Journal falou recentemente com Moure-Eraso e Don Holmstrom, pesquisador do CSB e diretor do escritório Regional da Zona Oeste da agência, para discutir os perigos inerentes às práticas de liberação de gás, a resposta imediata da NFPA aos incidentes e o futuro da segurança industrial.

Descrevam o processo de purga por gás e a limpeza com gás em alta pressão (Gas blowing) e a sua participação nos incidentes da ConAgra e da Kleen Energy.
Moure-Eraso: na situação da ConAgra, a purga das novas tubulações no interior do edifício ocorreu durante a instalação dum aquecedor de água industrial alimentado a gás. Os trabalhadores utilizaram gás natural – um gás inflamável - para expulsar o ar do sistema de tubulações. Num dos tubos, a descarga de gás não ocorreu no exterior, mas dentro da planta.

A limpeza com gás em alta pressão (gas blow) é uma situação diferente. Utilizam-se grandes volumes de gás em pressões mais altas para limpar os sistemas de tubos e canos, principalmente em centrais elétricas. O volume de gás é tão grande que a descarga deve ser dirigida para locais seguros no exterior. E já que há tanto gás, a possibilidade de encontrar uma fonte de ignição é maior, causando danos às pessoas que trabalham em áreas próximas do edifício.

Esses incidentes eram evitáveis?
Moure-Eraso: é surpreendente [no caso da Kleen Energy] que alguém possa pensar em pegar cerca de 1.300 m3 de gás inflamável e bombeá-los num sistema sem pensar no que poderia acontecer. A segurança e prevenção em relação aos empregados foram totalmente ignoradas ao aplicar esse procedimento.

Holmstrom: A outra face da moeda é nossa descoberta que, de fato, nenhuma norma existente se aplicava a essa prática. Isso mostra realmente quão importante é que grupos como a NFPA fixem normas e práticas mínimas para fornecer requisitos às pessoas que querem aplicar práticas seguras na prevenção desses acidentes.

Durante a investigação da ConAgra, os investigadores do CSB analisaram a prática de purgar o gás natural em ambientes interiores. O que descobriram?
Holmstrom: quanto à questão da purga, encontramos uma série de incidentes similares que ocorreram faz relativamente pouco tempo. [O Relatório da investigação do CSB sobre a ConAgra relata seis acidentes durante a purgação com gás desde 1997.] Descobrimos também que vários fenômenos podiam afetar a capacidade das pessoas utilizarem seu sentido do olfato, uma prática comum em detectar a emissão de gás combustível. Uma das questões é a dissipação do cheiro, onde o odorante acrescentado ao gás natural pode reagir com novas tubulações e contêineres de gás, resultando na sua remoção ou redução. Também existe a fadiga relacionada com o cheiro - a exposição a um determinado odor por um longo período de tempo pode reduzir a habilidade de detecção.

Existem outros fenômenos relacionados com a psicologia individual duma pessoa. Algumas pessoas são mais sensíveis à detecção de cheiros que outras.

Uma das lições aprendidas é que não se deve contar apenas com o cheiro para detectar uma liberação de gás combustível. Recomendamos no nosso relatório a utilização de detectores para monitorar as concentrações de gás, mesmo nas purgas para o exterior. A maior lição aprendida é que se deve purgar longe dos trabalhadores, num local seguro e longe de fontes de ignição.

O que acha da resposta da NFPA às recomendações do CSB sobre o incidente da ConAgra?
Holmstrom: estamos muito satisfeitos que a NFPA tenha tomado uma ação tão positiva. O pessoal com o qual lidamos era muito dedicado à segurança e à adoção de todas as práticas seguras. A resposta foi rápida. O estabelecimento duma norma envolve sempre um pouco de confusão. Dito isso, aquilo que nos impressionou foi a perseverança dos membros e pessoal da NFPA em fazer as coisas certas e conseguir a adoção das recomendações.

Moure-Eraso: apreciamos que a NFPA tenha aceitado nossas recomendações e tenha atuado. As novas provisões da NFPA 54 teriam requerido que o gás na ConAgra fosse purgado no exterior, longe do pessoal e das fontes de ignição. Com os novos requisitos, a purgação deve ser controlada utilizando equipamento de detecção adequado para prevenir uma liberação significativa de gás inflamável. A mudança recente do código da NFPA é similar aos novos procedimentos de segurança desenvolvidos e implantados tanto pela ConAgra como pelo estado de Carolina do Norte nos meses a seguir a tragédia.

Poucos dias após a publicação das recomendações do CSB sobre a ConAgra, ocorreu a explosão da Kleen Energy. Em que pensou nesse momento?
Moure-Eraso: foi um sentimento de frustração. Essas são situações individuais, onde o gás inflamável, que deveria ser usado para fins energéticos, foi utilizado para algo totalmente diferente, ignorando o potencial para incêndios e explosões.

Holmstrom: lembro-me quando recebi a chamada sobre o incidente. Apesar de não conhecermos todas as circunstâncias particulares, sabíamos que há diferenças entre a purga e limpeza com gás em alta pressão. O ponto em comum é que existe gás inflamável, um material perigoso, liberado perto de trabalhadores e de fontes de ignição. Pensamos que esse tipo de atividade não deveria acontecer.

Foi uma surpresa descobrir que a limpeza com gás em alta pressão ocorria com certa freqüência?
Moure-Eraso: aquilo que me surpreendeu mais foi o elevado volume de gás utilizado para esse procedimento. Você tem um sistema de tubulações com resíduos sólidos e pó. Alguém tem a idéia de limpá-lo tomando gás inflamável em alta pressão e bombeando-o com a maior força possível, sem pensar naquilo que acontecerá na outra ponta. Isso surpreende.

Holmstrom: descobrimos que a limpeza com gás em alta pressão fazia-se por conveniência. Muito do nosso pessoal vem do setor químico e petroleiro, onde o princípio básico da segurança química é manter os materiais perigosos no interior das tubulações e do equipamento e não liberá-lo no espaço de trabalho. Uma das coisas que encontramos foi uma idéia errada sobre a força realmente necessária para remover uma quantidade suficiente de contaminantes numa tubulação para limpá-la. Vimos que se precisa muita menos força do que aquela que se julga necessária usualmente.

Outro motivo pelo qual não encontramos explicação para o uso de gás em alta pressão, é que o procedimento em si pode constituir uma fonte de ignição. A eletricidade estática ou uma partícula de metal contaminante ejetada pode entrar em contato com outra superfície metálica, criando uma centelha. Em dois dos incidentes precedentes envolvendo limpeza com gás em alta pressão, determinou-se que a fonte de ignição era de fato a própria limpeza com gás.

Investigando a questão mais profundamente, fizemos um inquérito junto dum grupo de pessoas que constroem centrais elétricas, chamado o Combined Cycle User’s Group. Descobrimos que, enquanto limpeza com gás em alta pressão era a técnica mais usada para limpar as tubulações, perto de 50% das pessoas utilizam técnicas mais seguras, o que indica que técnicas inerentemente mais seguras estão disponíveis e amplamente aplicadas.

Quais são essas técnicas mais seguras?
Holmstrom: as alternativas menos perigosas incluem limpeza com ar, com nitrogênio e a utilização dum PIG [uma escova colocada no interior dum duto e propelida através dele por pressão de um gás inerte], que não apresenta os riscos de incêndio e explosão dum gás inflamável. Achamos que estas alternativas são praticadas normalmente e não são caras. Quando perguntamos às pessoas que realizaram limpeza com gás porque utilizaram gás inflamável em lugar de gás não inflamável, eles não deram um motivo técnico. Acreditamos que o fizeram porque o gás se encontrava no local e era conveniente.

Como receberam a resposta da NFPA à explosão da Kleen Energy – estabelecer um novo comitê e começar a trabalhar sobre uma norma provisória regulando essa prática?
Moure-Eraso: a primeira discussão que tivemos com a NFPA tinha por objetivo analisar uma eventual mudança do âmbito da NFPA 54. Depois de muitas discussões e depoimentos, decidimos que a limpeza com gás em alta pressão era uma questão separada e que um novo comitê da NFPA deveria ser criado para lidar especificamente com essa questão. Essa foi uma resposta inicial muito importante. Penso que estamos indo na direção certa.

Fora dessas provisões do código, o que se deveria fazer para prevenir a ocorrência de incidentes similares?
Moure-Eraso: devemos olhar as centrais elétricas. Estão operando essas instalações, construindo as centrais para produzir eletricidade utilizando o gás. Será importante que tomem a iniciativa de dizer que, no processo de construção, a limpeza por gás em alta pressão deveria ser proibida. Esse é outro aspeto da prevenção desses incidentes.

Holmostrom: tivemos agora uma discussão sobre o futuro da indústria de geração de energia e notamos que os Estados Unidos são um dos maiores produtores de gás natural e que essa produção aumentará nos próximos anos. A segurança do gás combustível tornar-se-á uma questão muito mais importante e muitas centrais elétricas serão convertidas do carvão para o gás natural. Identificamos cerca de cento e cinquenta centrais elétricas que serão construídas nos próximos cinco anos. Estados como Connecticut já proibiram limpeza com gás em alta pressão. Quando os estados tomam esse tipo de decisão, que não é usual, é evidente que as entidades que elaboram os códigos e as normas seguirão o exemplo. Seria inconcebível dizer que limpeza com gás em alta pressão pode ser realizada de forma segura, mas com um asterisco e as palavras “exceto no estado de Connecticut”.

Em outras palavras, essas práticas devem ser uniformes. Essa é a importância da NFPA e do processo de preparação dos códigos e acreditamos que a NFPA está na direção certa e, finalmente, a prática limpeza com gás em alta pressão será abandonada e passaremos a usar alternativas mais seguras.

Moure-Eraso: outra estratégia preventiva é a regulação federal. Fizemos recomendações à Occupational Safety and Health Administration para proibir especificamente este procedimento e, na ultima vez que falamos com a OSHA, estavam considerando esta possibilidade. Esperamos alguma novidade nesse campo.

O que espera que os membros da NFPA levem da sua apresentação na Conference & Expo?
Moure-Eraso: um dos principais conceitos na prevenção de incidentes como esses e na proteção da saúde dos trabalhadores é a adoção de práticas inerentemente seguras em ambientes industriais. É isso que deveríamos buscar e evitar os riscos desnecessários. As práticas inerentemente seguras não tentam gerir os riscos, ao contrário tentam evitá-los desde o início.

DETERMINAR O FLUXO DE ÁGUA NAS LINHAS DE ATAQUE.


Por Ben Klaenne & Russ Sanders

manometroO fluxo de água é uma parte essencial dos planos de pré-incidentePara edifícios que requerem mais que duas linhas de ataque previamente conectadas, recomendamos que se faça o cálculo do fluxo de água antes da ocorrência de um incêndio, usando o cálculo V/100, a não ser que exista um risco extra de carga combustível, no qual caso sugerimos usar o fluxo dos sprinklers.
indicedeflujo_por_smPara edifícios que apresentem pequenos compartimentos, a linha de mangueiras standard pré-conetada será em geral suficiente. Entretanto, com o aumento do tamanho dos compartimentos, o fluxo de água calculado vai aproximar-se daquele das linhas de ataque pré-conectadas standard dos bombeiros. Nesse momento, será essencial incluir o cálculo de fluxo de água no plano de pré-incidente.
Os procedimentos de operação (SOPs) adotados pela maioria dos corpos de bombeiros requerem uma linha auxiliar, duplicando dessa forma o fluxo de água disponível, uma vez que serão disponíveis de imediato duas linhas de ataque na zona do incêndio. Se os procedimentos dos bombeiros requererem uma linha auxiliar, o fluxo de água crítico é aquele disponível na linha de ataque standard pré-conetada, multiplicado por dos.
Se a sua linha de ataque pré-conetada fornecer um fluxo de água de 150 galões por minuto (gpm) [568 litros por minuto (lpm)], por exemplo, a linha de ataque inicial e a linha complementar vão fornecer juntas 300 gpm (1,135 lpm). O compartimento maior que pode ser extinto com um fluxo de água total de 300 gpm (1,135 lpm) mediria 300x100 pés, ou 30000 pés quadrados (850 metros quadrados). O plano de pré-incidente de qualquer edifício com um compartimento maior do que 30000 pés quadrados (850 metros quadrados) deveria incluir o fluxo de água necessário para cada compartimento grande. Recorde-se que todos os cálculos de fluxo de água são estimativas baseadas em hipóteses relativas a ventilação, ao combustível disponível, e a configuração do combustível.
É importante conhecer o fluxo de água fornecido pelas vossas linhas de ataque de mangueiras standard quando determinem o volume de fogo que podem extinguir como uma ou duas linhas de ataque standard. Examinando centenas de corpos de bombeiros, descobrimos que a maioria sobreestima o fluxo fornecido pelas suas linhas de ataque standard. Você pode dizer com certeza qual é o fluxo total de água disponível a partir da sua linha de ataque standard? Realizaram ensaios de fluxo de água para verificar o fluxo de água total disponível?
Os fabricantes de esguichos de fluxo variável fornecem em geral o fluxo para o seu equipamento para uma dada pressão de descarga da bomba ou do esguicho, e você pode calcular os fluxos para pressões específicas nos esguichos ou encontrá-las em tabelas de fluxo de água standard para esguichos de jato sólido. Por exemplo, um fabricante de esguichos afirma que o seu esguicho automático vai fornecer um fluxo de água de 120 gpm (454 lpm) para uma descarga de bomba com uma pressão de 150 psi para 150 pés (45 metros) de mangueira. Se prolongarem o cumprimento da mangueira até 250 pés (76 metros) e se a descarga da bomba se mantiver em 150 psi, o fluxo de água ficaria reduzido a 95 gpm (360 lpm). Se reduzirem a pressão de descarga da bomba a 50 psi, como é o caso em alguns sistemas mais velhos de torneiras, o fluxo de água do mesmo esguicho baixaria a 30 gpm (114 lpm). A única forma de saber com certeza qual será o fluxo de água das linhas de ataque do vosso departamento, é realizando ensaios de fluxo de água em diferentes condições.
Em resposta a demanda de esguichos que forneçam fluxos de água suficientes com pressões baixas, os fabricantes de esguichos redesenharam esguichos de fluxo de água variável, tornando possível o aumento do fluxo de água pelo uso de esguichos projetados para baixas pressões. Um fabricante classifica o seu esguicho reprojetado para baixa pressão em 71 gpm (269 lpm) para 150 pés (46 metros) de mangueira de 1 ¾ com uma pressão de descarga da bomba de 50 psi. Entretanto, os esguichos de jato sólido tendem a produzir fluxos superiores em relação à maioria dos esguichos de fluxo de água variável.
Todos os fluxos de esguichos publicados são baseados na pressão do esguicho, e não na descarga da bomba. Quando um fabricante de esguichos fornece um fluxo por um determinado cumprimento de mangueira a uma pressão dada, estima-se ou mede-se a perda por fricção da descarga da bomba ou da torneira para a mangueira. Diferentes mangueiras e acoples de mangueiras produzem diferentes perdas por fricção. Se o medidor de pressão do seu aparelho tomar a pressão no lado de sucção da bomba, não medirá a perda de pressão na tubulação do aparelho.
A pressão no esguicho é a pressão disponível desde a fonte, menos todas as perdas devidas à fricção e a elevação. Assim, utilizar a informação dos fabricantes relativa aos esguichos ou as tabelas relativas a esguichos de jato sólido, pode não fornecer uma informação exata sobre o fluxo de água para o arranjo de mangueiras desejado. Felizmente, existe uma melhor maneira de determinar o fluxo das vossas linhas de ataque standard. Mas requer tempo, esforço, e dinheiro.
Recomendamos que cada corpo de bombeiros execute ensaios de fluxo de água nas suas combinações de mangueira e esguicho utilizando um medidor de fluxo calibrado. Para fazer isso, coloque o medidor de fluxo do lado de entrada da bomba, quer dizer do lado não conectado diretamente ao hidrante. Verifique que todos os drenos estejam fechados, avance a linha de ataque standard, e aumente a pressão de descarga da bomba até a pressão especificada nos seus SOPs. O medidor de fluxo vai fornecer o fluxo real para a sua combinação de mangueira e esguicho.
Esse é também o momento certo para ensaiar diferentes arranjos de mangueiras. A maioria dos fabricantes não recomenda arranjos de mais de 250 pés (76 metros) para uma mangueira de 1¾ porque a perda de pressão se torna excessiva em mangueiras de 1¾ polegada para fluxos elevados. Caso forem necessárias linhas de mangueiras de maior extensão, deverão utilizar mangueiras de diâmetro maior de forma diminuir a perda por fricção e aumentar o fluxo. Experimentem diferentes esguichos com diferentes cumprimentos e tamanhos de mangueiras para determinar as melhores combinações. Na maioria dos casos, quanto mais forte for o fluxo, melhor. Entretanto, um aumento no fluxo vai aumentar a força de reação do esguicho, fazendo com que as mangueiras de maior diâmetro sejam mais difíceis de manobrar. Não confie nas fórmulas relativas a força de reação dos esguichos, pois são muitas vezes inexatas.
Devido ao fato que controlar uma mangueira com fluxos elevados pode ser muito difícil, é essencial que os bombeiros treinem usando diferentes combinações de mangueiras e esguichos em simulações de incêndios. Alguns corpos de bombeiros levam os ensaios um passo a frente utilizando medidores de pressão que determinam as perdas por fricção nas suas mangueiras. Medidores calibrados colocados em série em cada ponta de uma seção de mangueira fornecem os dados sobre a perda de pressão por fricção naquela seção da mangueira. A melhor forma é colocar o medidor na seção conectada ao esguicho para obter uma leitura exata da pressão no esguicho. A perda por fricção varia, com base no fluxo. Esse processo deveria também ser utilizado quando se adquirem novas mangueiras ou esguichos.
Se um esguicho não for corretamente mantido ou se estiver danificado, o fluxo poderá não ser aquilo que você espera, por esse motivo os fabricantes de esguichos recomendam a adoção de procedimentos de manutenção e limpeza. Se seguirem o nosso conselho e comprarem um medidor de fluxo, seria uma boa idéia de ensaiar todos os esguichos de acordo com um calendário regular.
O objetivo de calcular o fluxo de água é de dar a conhecer o tamanho e número de linhas de ataque que vão precisar para apagar um fogo bem desenvolvido em um compartimento cujo tamanho supera a possibilidade de proteção por linhas de ataque pré-conetadas. Mas calcular o fluxo necessário para uma dada situação não faz muito sentido se você não conhecer o fluxo disponível nos seus esguichos.
Esta coluna é adaptada do livro Structural Fire Fighting, disponível a www.nfpa.org

A FUTURA REVOLUÇÃO NA TECNOLOGIA DE SCBA


Por Rich Duffy, Stan Sanders, Dave Snyder, Jeff Stull y Grace Stull

SCBADurante as três ultimas décadas, o aparelho de respiração autônomo de pressão positiva (SCBA, da sigla inglesa), tornou-se a norma para os bombeiros, a medida que o desenvolvimento contínuo de novas características e capacidades ia aprimorando a proteção oferecida. Contudo, o SCBA permanece a parte mais pesada e volumosa do conjunto de equipamento de proteção individual do bombeiro. Essa deficiência está prestes a mudar.

No verão 2008, o Departamento de Segurança Nacional (Homeland Security Department – DHS) adjudicou à associação Internacional dos Bombeiros (International Association of Firefighters – IAFF) um contrato de comercialização de uma nova forma de recipiente de pressão e invólucro flexível que pode substituir os cilindros SCBA convencionais. Isso vai reduzir substancialmente o peso e o perfil do SCBA e ajudar a lidar com os aspetos do SCBA que causam estres aos bombeiros e outro pessoal de emergência. Os cilindros existentes consistem principalmente em uma casca de alumínio envolvido em carbono, Kevlar® e fibra de vidro, com pressões de operação até 5000 psi.

O esforço de 15 meses incluiu a obtenção das necessárias autorizações do governo para o novo recipiente de pressão, trabalhando com a indústria de SCBA para integrá-lo como parte do SCBA existente; cumprir os requisitos de certificação do governo e da edição em vigor do NFPA 1981,Aparelhos de Respiração Autônomos de Circuito Aberto para Serviços de Combate a Incêndio e Emergência; e ensaios de campo dos recipientes. O IAFF, a companhia Vulcore Industrial LLC (Fort Wayne, Indiana) e a firma de pesquisa, Inernational Protection, Inc., (Austin, TX) estão trabalhando com um comitê consultivo técnico constituído de diferentes corpos de bombeiros destacados e outras organizações de resposta de emergência com extensa experiência no uso e manutenção do SCBA. O projeto resultará em um novo conjunto de pressão que será disponibilizado a todos os fabricantes como alternativa aos atuais cilindros.

O novo recipiente de pressão, desenvolvido pela Vulcore Industrial LLC de Fort wayne, Indiana, está constituído por elementos internos de um plástico moldado, altamente especializado, de alta temperatura chamado Hytrel, fabricado pela Dupont. Esses recipientes de plástico são entrelaçados com uma forma especial de Kevlar para garantir que resistam a todas as pressões esperadas mantendo-se flexíveis, e a seguir revestidos com filamentos de carbono pré-impregnados. O revestimento por filamentos de carbono dos elementos entrelaçados fornece a resistência global do recipiente de pressão.

Os elementos são basicamente dois mini-cilindros alongados conectados por um tubo flexível do mesmo plástico que os próprios cilindros. De fato, o inteiro recipiente de pressão de “duas células”, incluindo o conector, é criado durante o mesmo processo de moldagem.

Vários elementos são preparados, colocados em paralelo e guarnecidos de adaptadores que os ligam a um conector múltiplo. O conector múltiplo, que inclui uma válvula e um medidor de pressão, é a seguir ligado a um regulador e outros componentes SCBA.

O sistema certificado para 45 minutos de duração consistirá em sete recipientes de pressão de duas células com uma profundidade aproximada de 1.9 polegadas (4.8 centímetros), comparado com 7 polegadas (18 centímetros) de média para cilindros SCBA convencionais, e uma largura total de cerca de 16 polegadas (41 centímetros). Espera-se que o conjunto de pressão tenha cerca de 2 pés (61 centímetros) de cumprimento. Contudo, graças às conexões entre as duas células (entrelaçadas mas não envolvidas em filamentos) e ao uso da ligação flexível, o conjunto de recipientes de pressão pode ser dobrado verticalmente e horizontalmente para adaptar-se as costas do bombeiro e manter um perfil estreito.

Quando o conjunto é combinado com um involucro e arnês flexíveis, pesa cerca de 50% menos que o SCBA com cilindros convencionais revestidos de metal. Além disso, ao contrário dos atuais cilindros SCBA, em caso de rompimento do recipiente, o utilizador não é submetido ao risco de fragmentação. Um recipiente de pressão perfurado simplesmente libertaria ar para a atmosfera sem perigo de explosão, como o demonstrou a NASA numa serie de testes usando vários projetis e forças.

Trabalhando com o Corpo de Bombeiros de Wayne, a Vulcore Industrial testou um protótipo que ultrapassa facilmente o desempenho do SCBA convencional em avaliações de percursos de obstáculos e entrada simulada em espaços confinados. O protótipo foi também testado em relação a várias características de desempenho. Por exemplo, os recipientes de pressão cheios de ar não mostraram perdas depois de duas horas. Os recipientes de pressão de amostragem que foram submetidos a ciclos repetidos de pressurização e despressurização continuam a cumprir as normas de explosão da indústria.

A nova tecnologia de recipientes de pressão ainda não tem nome, embora algumas pessoas chamem o sistema de “mochila chata”, devido a mudança drástica de perfil. O conjunto não terá somente uma aparência diferente, mas sim reduzirá o stress e aumentará a mobilidade em espaços confinados. Mais importante, a nova tecnologia representará uma mudança de paradigma na indústria, da mesma forma que o fez o SCBA de pressão positiva quando substituiu os anteriores respiradores dos bombeiros.

Rich Duffy, assistente executivo do Presidente do IAFF, trabalhou com assuntos de saúde e segurança no trabalho nos últimos 27 anos, incluindo 24 anos no IAFF, onde é atualmente responsável do desenvolvimento e implementação de todas as atividades de segurança e saúde do trabalho para seus membros.

Stan Sanders, presidente da Sanders Industrial Design e da Vulcore Industrial, é o inventor da nova tecnologia de recipientes de pressão, esteve envolvido no desenvolvimento de recipientes de pressão para aplicações especiais durante os últimos 40 anos.

David Snyder, vice-presidente de Desenvolvimento de Operações & Negócios na Vulcore Industrial, trabalhou na gestão de negócios de ambos o desenvolvimento e a produção de sistemas de suporte à vida e da produção de aparelhos utilizados nos ramos aeroespacial, medico e de cuidados de saúde domiciliares.

Jeff Stull e Grace Stull, presidente e vice-presidente da International Personnel Protection, Inc., proporcionam pesquisa e perícia destacadas no ramo do desenvolvimento e da utilização do equipamento de proteção individual

JORNAL NFPA LATINOAMERICANO - JUNHO 2012

GESTÃO DE EMERGÊNCIAS